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Vanguardismo para o homem brasileiro: Conheça a Iarocheski

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Thiago Alves

A nova geração de designers brasileiros vem surpreendendo e inovando o guarda-roupa masculino, vide Igor Dadona e Felipe Fanaia. Esse público, que busca uma fuga do tédio em que anda a moda atual, encontra nesses novos designers, um respiro de criatividade, onde a preocupação meramente comercial ainda não tomou conta de seus croquis.

Seguindo esse reflexo, a Iarocheski, do designer catarinense Lui Iarocheski, quebra barreiras e, mesmo com tão pouco tempo de “estrada”, está chamando a atenção de homens e mulheres em todo o Brasil.

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“A história da Iarocheski é recente. Tudo começou com minha coleção de formatura no final de 2014. Depois que voltei do meu intercâmbio na Suécia, decidi trabalhar uma coleção com forte expressão visual, que trouxesse o perfume e a ruptura da vanguarda para a moda masculina. Depois do desfile de formatura a coleção começou a ganhar um destaque que me deixou surpreso”, contou o designer ao À La Brutus.

Além de conquistar o público brasileiro, o designer tem um currículo de deixar muita gente com inveja. “Fui selecionado como um dos 8 finalistas (único das Américas) de um concurso em Viena – o RG Designer Award 15 – em parceria com o site Not Just a Label. Em Abril de 2015 levei um desdobramento da minha coleção de formatura para Viena, na Áustria, e ganhei o prêmio pelo voto popular, para minha surpresa”, explicou Lui.

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Esse concurso, segundo o designer, trouxe uma visibilidade gigantesca ao seu trabalho, abrindo outras portas, em outros países. “Fui convidado a desfilar uma coleção na passarela do Vancouver Fashion Week em Outubro (2015). Mas durante todo esse tempo, desde a formatura, eu já tinha a intenção de lançar minha própria marca. Depois do desfile em Vancouver as coisas aconteceram de forma muito orgânica e logo a marca foi lançada oficialmente”. Para a nossa alegria, não é mesmo?

Moda e união de sonhadores

Para dar continuidade e emplacar a marca, Lui Iarocheski e um grupo de pessoas criaram uma empresa. “Reunimos em Florianópolis um grupo de sonhadores – pessoas apaixonadas por moda – para criar uma empresa que acelerasse novas ideias/criadores de moda e usamos minha marca como protótipo desse novo negócio. Chamamos a empresa de AOCA”, afirmou durante a entrevista.

Mesmo seu trabalho ainda desconhecido no Brasil, após retornar do Canadá, o designer passou a integrar o line up da Casa de Criadores, expoente de moda criativa no Brasil. “Logo após meu retorno do Vancouver Fashion Week surgiu o convite do André Hidalgo para entrarmos com a Iarocheski pro line-up oficial da Casa de Criadores. Com isso começamos nossa inserção no cenário de moda nacional”, afirmou. “Foi tudo muito rápido e aconteceu de forma orgânica durante esse um ano”, completou.

Sobre o mercado de moda masculina brasileiro, Lui é enfático ao afirmar que há espaço para todos os estilos de homens. “Vejo que (o mercado) está crescendo, principalmente no tocante ao consumo desse produto de nicho mais autoral. Apesar da reputação do homem brasileiro de ter uma atitude mais patriarcal e conservadora quando consome moda, vejo oportunidade para se atender o homem que deseja tanto por produtos de qualidade, quanto por peças que transmitam a mensagem de uma personalidade mais ousada. Enfim, tem espaço pra tudo e todos. Só é preciso achar seu público e ter um propósito – que no meu caso é romper com os estereótipos e questionar o status quo com essa nova expressão em moda masculina através do design experimental”.

Em geral, muitos designers acabam mantendo um “pé atrás” ao tentar inserir uma moda mais conceitual para o homem brasileiro. Entretanto, Lui se mostra otimista. “O consumidor brasileiro é muito plural. Não consigo generalizar e por isso preferi achar meu nicho. Quando paro para refletir no comportamento de consumo do brasileiro de forma geral eu só consigo ver esse consumo de ‘colono’. Valorizamos muito o que vem de fora ou o que lá fora se usa. Fazendo assim atuamos a posteriori – consumindo moda já confirmada – e não a priori – com o intuito de antecipar novas expressões. Se eu focar muito nesse padrão de consumo do homem brasileiro geral, em nada estarei colaborando para tirar o Brasil da periferia de criação de moda mundial. Estarei apenas fazendo commodities, vestuário sem sentido, jogando produto sem valor no mercado”, explicou.  “As pessoas não sabem o que querem até que você mostre a elas”, completou.

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Futuro

“Os planos são de fazer a marca Iarocheski crescer para que ela sustente novos projetos. Já estamos com novas marcas projetadas para lançamento em breve dentro da AOCA. Fui confirmado também para mais duas temporadas do Vancouver Fashion Week e, no meio disso tenho ainda o próximo desfile da Casa de Criadores. Será muita coisa acontecendo ainda esse ano. Uma ótima quebra da rotina para um sagitariano ansioso como eu”.

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Dica

“Desafie todos e você mesmo através de questionamentos. A moda serve para fazer perguntas e não respondê-las. Usar a intuição, unir-se as pessoas, colaborar e aproveitar o processo são as coisas mais importantes”.

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Para quem quer encontrar as peças da Iarocheski, é só acessar o site da marca www.iarocheski.com.  “Trabalhamos no sistema made-to-order, pensando no slow fashion e no atendimento mais humanizado do sistema de ateliê”.

FASHION CRUISE FILM from william f. santos on Vimeo.

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