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Entrevista: A história de sucesso do modelo albino Stephen Thompson

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Por Thiago Alves, Ronaldo Prado e Ana Laura Cardoso

O padrão de beleza na moda vem mudando ao longo dos anos. O “diferente” está se tornando a cada dia mais cool e abrindo portas para modelos cada vez mais diferenciados. Um dos maiores exemplos é o modelo albino americano Stephen Thompson, o primeiro modelo nessa condição rara a fazer sucesso no mundo fashion. Apesar de “colher os louros” do sucesso, sua trajetória não foi fácil e contou com muita superação para conseguir vencer.

Hoje temos um número grande de modelos que nasceram albinos, como Jewel Jeffrey, Amal Sofi, Shaun Ross e Albi X. No entanto, essa história era diferente no fim dos anos 90, quando Stephen Thompson emprestou seu rosto pela primeira vez, em um editorial para a W Magazine, fotografado por Steven Klein.

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Em entrevista exclusiva para o À La Brutus, o modelo contou sobre a sua história de superação e sucesso, onde enfatizou a necessidade de redefinir os estereótipos de beleza. “Eu acredito que a beleza vai sempre se sobressair brilhantemente e será requisitada, enquanto a beleza for sempre redefinida pela sociedade”.

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Thompson conta que se sentia excluído e por isso, passou a pesquisar mais sobre a sua condição. “Como sou jovem, sempre tentei entender ao máximo o albinismo. Eu sei que muitas pessoas possuem curiosidade sobre isso, mas precisei saber o máximo que podia porque eu vivia nessa condição rara e vivenciei tudo relacionado a isso. Quando eu tinha nove anos, eu sabia que era diferente e único e eu me sentia excluído. Me formei em ciências escrevendo projetos de pesquisas sobre albinismo, tentando compreender biologicamente e até molecularmente  o que causa a hiperpigmentação  no cabelo, na pele, e até nos olhos de pessoas como eu”.

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Entendendo melhor sua condição, o modelo passou a se aceitar, momento em que foi convidado por Daniel Peddle para o seu primeiro trabalho. “Eu nasci e fui criado no Brooklyn, Nova York. Quanto eu tinha 17 anos, fui contratado para o Brooklyn Promenade de Daniel Peddle, que agora é da The Secret Gallery. No mesmo ano, comecei a levar a sério quando ele me chamou novamente depois de um mosh pit na Warp Tour. Eu estava coberto de lama lá fora no festival em Randal’s Island, e ele ainda estava interessado”, brincou Thompson.

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Educação versus Carreira

Mesmo com o sucesso latente, o jovem modelo teve que escolher entre a carreira fashion e a graduação na universidade. E adivinha o que ele escolheu? “Depois de trabalhar com Ellen Von Unwerth para L’uomo Vogue e Steven Klein para a W Magazine desde cedo, na minha carreira, eu fui contratado pela IMG Models aos 18 anos. Mas nesse momento estava interessado em ir para universidade, que foi o que fiz ao invés de assinar contrato com a IMG. Educação era mais importante pra mim do que ser modelo naquele momento da minha vida”.

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Depois da faculdade, o trabalho de modelo foi se consolidando. No entanto, apesar de fazer sucesso editorial, o modelo ainda encontrava dificuldades em conseguir trabalhos publicitários. “Só depois de 10 anos na minha carreira consegui vários anúncios publicitários. Desde o final dos anos 90 até os anos 2000, muitas marcas não queriam se arriscar dando uma campanha para um albino. Eu trabalhei muito com ótimas e brilhantes pessoas, mas eu tinha altas ambições de ‘fisgar um peixe grande no mundo da moda’, já que eu gosto do que é melhor desde cedo”.

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E a pescaria acabou dando certo! Seu caminho se cruzou com o do designer Ricardo Tisci, mente genial por trás da Givenchy. “Eu conheci Riccardo Tisci numa sessão de fotos num editorial para a Spin Magazine, em 1999. Ele estava dando apoio para seu amigo Alex, que era o fotógrafo no editorial. Eram 6 páginas com o título “Night Owl”, que era basicamente  o meu rosto com uma câmera poderosa que lançava luz  em tudo. A outra vez que encontrei-o, ele veio com Daniel Peddle para procurar o novo rosto de 2011  para a campanha da Givenchy. Ele gostou do jeito que me vestia e meu deu o trabalho.  Logo eu estava em Londres sendo fotografado para a campanha, fotografada por Mert & Marcus. Dois meses depois o Riccardo me tinha como peça principal do outono/inverno na passarela da Semana de Moda de Paris.  Mr. Tisci foi o primeiro design de moda super famoso a me escolher como “muso”, mas não foi o último.

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E as portas se abrem

Analisando toda a sua trajetória, Thompson se diz feliz com  a procura de profissionais albinos em campanhas publicitárias. “Eu acho que mais pessoas albinas conseguindo mais emprego na área de moda é ótimo. Isso prova que o diferente pode ser tendência em termos de moda corporativa e pessoas com um look diferente podem conseguir mais emprego nas marcas mais famosas”, afirma.

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Mesmo com o mercado mais “aberto” para o diferente, o modelo ainda tem um “pé atrás”. “Como sendo um dos primeiros modelos albinos de sucesso, eu passei por períodos sendo muito requisitado ou não. Eu estou acostumado entre o sim e o não. Quanto mais o albinismo é aceito na moda, maior é o risco que esse fenômeno se torne tendência, o que em minha opinião é muito difícil, por isso não temos com o que se preocupar. Eu levei anos fazendo editoriais até que conseguisse um trabalho comercial. Agora  mais pessoas albinas estão conseguindo trabalho comercial de forma mais fácil, o que eu acho ótimo, mas meu conselho para eles seria que sempre considerem a natureza explosiva do comportamento humano misturado com as ‘pessoas da indústria da moda’. Quando você é bonito para o mundo da moda, no geral, você pode ficar mais sossegado. Eu acredito que a beleza vai sempre se sobressair brilhantemente e será requisitada, enquanto a beleza for sempre redefinida pela sociedade”, concluiu.

Quer conhecer mais sobre o trabalho de Stephen Thompson? Acompanhe seu instagram!

 

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