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A nudez apoteótica de Gustavo Chams

Por Thiago Alves

(Originalmente postado em Navy Blue Closet)

O fotógrafo e artista visual Gustavo Chams apresenta seu mais recente trabalho, intitulado “Apoteose”, trazendo para o espectador um trabalho fantástico de nu, tendo como ponto de partida a divinização do corpo. Em entrevista ao Navy Blue Closet, o artista relatou que a principal fonte de inspiração foi a antiguidade clássica.

“A ideia do ensaio é mostrar o caminho da apoteose através do corpo humano, aceitando-o da forma como é. Além disso, é um questionamento sobre a vulgarização do corpo, propondo uma nova visão sobre o mesmo que resgata a antiguidade clássica, onde a busca pelo sagrado feminino e os rituais faziam do corpo uma forma de se conectar ao divino”, relatou Chams. “As referências estão na pintura clássica, em Caravaggio e nas artes performáticas contemporâneas”, completou.

A sexualidade foi banalizada ao longo da história. No entanto, uma falsa moralidade bloqueia e, em muitos casos, traz certa repulsa ao espectador. “Não sou contra o sexo ou a sexualidade. Acredito que a liberdade sexual proporcionou avanços incríveis para a humanidade. Mas, a vulgarização do corpo é um processo que faz com que as pessoas deixem de ver todos os lados da amplitude do corpo (e da alma ) humana, e vê-lo apenas como algo errado, ou pecaminoso. Tanto a visão banal como a visão “pecaminosa” sobre o corpo trazem preconceito sobre o nu”, comentou. “No entanto, o papel da arte sempre foi o de libertar e propor uma nova perspectiva de visão para as pessoas e para a vida de forma geral. Então, se o ensaio chocar, é porque atendeu a proposta”, respondeu enfático.

INFLUÊNCIAS

O fotógrafo, que já trabalhou com grandes revistas e agências, não só brasileiras, mas das principais capitais da moda, revelou um influência sombria em seu trabalho. Em entrevista, Chams relatou ter como inspirações nomes como Cartier Bresson, o ultrarromântico Álvares de Azevedo, além de nomes surrealistas e barrocos.

“Na fotografia minhas maiores influências são de Cartier Bresson, Robert Capa, Sebastião Salgado, Richard Avedon e Gregory Colbert. Na literatura Milan Kundera, Clarice Lispector, Edgar Allan Poe e Álvares de Azevedo. Nas artes visuais e performáticas, Marina Abramovic, Waterhouse, Rembrandt, Dali, Caravaggio e Bouguereau. E na música, Bach, Choppin, Debussy, Verdi, Puccini, Richard Wagner e Villa Lobos. Claro que tenho muitas outras influências, mas esses em especial me fascinam de uma forma muito intensa”, afirmou.

Com todas essas referências, a visão “dark” e escapista do mundo não passa despercebida em seu trabalho. “Eu realmente tenho um gosto artístico um tanto quanto clássico, melancólico e obscuro e, por certo tempo, eu tentei diminuir um pouco isso em meus trabalhos por razões comerciais, mas essa característica de intensidade começou a chamar atenção, e meus clientes começaram a buscar justamente isso em meu trabalho, mesmo para meus trabalhos não autorais, como os de moda. Então abracei essa característica e tem me dado muito retorno. Mas a graça da arte está justamente na possibilidade de explorar novos horizontes. Então, às vezes, gosto de explorar e me redescobrir”.

Sobre “Apoteose”, Gustavo Chams revela que exposições não estão descartadas. “Inicialmente, a ideia era de disseminar o ensaio apenas através de sites de arte pela internet, mas andei recebendo convites para exposições impressas. Quem sabe futuramente não aconteça, é algo que estamos conversando”, concluiu.

Acompanhe algumas imagens desse ensaio provocante.

 

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