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‘Victor Frankenstein’ sofre com roteiro ruim e atuações exageradas

É difícil tentar trazer novidades à histórias tão conhecidas – e contadas quase à exaustão – como “Frankenstein”. Lançado em 1818, o livro é considerado a primeira obra de ficção-científica da literatura. Nesses quase dois séculos, o enredo já foi levado diversas vezes ao cinema. “Victor Frankenstein”, filme dirigido por Paul McGuigan que estreou na semana passada no Brasil, é mais um a se aproveitar do sucesso do monstro na cultura pop e tentar trazer algo de diferente ao espectador.

O resultado, no entanto, é frustante. O longa, que tem como protagonistas James McAvoy (o jovem Professor Xavier de “X-Men: Dias de um Futuro Passado”), na pele do cientista que dá nome à produção, e por Daniel Radcliffe (o eterno Harry Potter), como o corcunda Igor, tenta inovar ao mostrar a história por trás de Victor e seus ideais mais profundos na busca pela criação, por meio da ciência, da vida.

Victor resgata Igor de um circo e o transforma em seu ajudante

Victor resgata Igor de um circo e o transforma em seu ajudante

A película, no entanto, esbarra em problemas sérios: o roteiro ruim e tão remendado quanto o próprio mostro é algo que acompanha o filme do começo ao fim. Personagens como Lorelei (Jessica Brown Findlay), por exemplo, não adicionam nada à trama. A continuidade e a edição também não ajudam. Somados ao roteiro deficiente, todos esses defeitos resultam em cenas estranhas, em que personagens parecem “surgir” em cena sem o menor aviso prévio – ou mesmo lógica.

Como se isso já não bastasse, “Victor Frankenstein” tem atuações lamentáveis. Narrado do ponto de vista de Igor, ajudante de Victor, o filme apresenta um elenco que parece estar no piloto automático. Radcliffe até tenta se esforçar, mas não convence, e Andrew Scott (que vive o inspetor Turpin), parece incomodado em cena. Mas é McAvoy, inegavelmente um bom ator, o pior em todo o longa, com uma atuação exagerada e histérica. Às vezes, é como se o espectador estivesse assistindo à uma sátira.

Para quem gosta da história original, 'Victor Frankenstein' pode ser frustrante

Para quem gosta da história original, ‘Victor Frankenstein’ pode ser frustrante

Para não dizer que absolutamente tudo é ruim no longa, algumas questões técnicas são interessantes. A começar pelo figurino e pela concepção estética, que mescla o gótico e o romântico. Além disso, algumas incursões gráficas durante poucas cenas, que explicam, por exemplo, o funcionamento de determinada parte do corpo, teriam ajudado a compor uma identidade própria ao longa. No entanto, elas são esquecidas no decorrer da projeção.

“Victor Frankenstein” não é só ruim como é, também, mal feito. Parece mal acabado, feito na correria e apenas para buscar dinheiro fácil em cima de uma figura icônica da ficção-científica. A coisa piora ainda mais ao final, quando uma cena deixa o gancho para uma possível continuação – coisa que dificilmente vai ocorrer. Se tentava trazer alguma originalidade à uma história tão famosa, o filme de McGuigan falhou miseravelmente.

 

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