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Quatro coisas bacanas – e quatro desastrosas – do novo Quarteto Fantástico

À essa altura, você já deve ter assistido ao novo filme do Quarteto Fantástico, a primeira equipe de super-herois da Marvel. Se ainda não viu, deve ter acompanhado nas redes sociais e portais de notícia que a crítica – e o público – de um modo geral caiu matando no longa produzido pela Fox e dirigido por Josh Trank (de Poder Sem Limites), além da arrecadação bem abaixo do esperado nos EUA no primeiro fim de semana de exibição (faturou apenas US$ 26 milhões; a expectativa era de US$ 45 milhões).

É fato que o reboot do Quarteto, produzido meio que à toque de caixa para que os direitos dos personagens não voltassem à Marvel, é ruim. Mesmo assim, ainda tem seus momentos de inspiração e, no final, consegue ser melhor do que as produções antigas (Quarteto Fantástico, de 2005, com Jessica Alba e Chris Evans no elenco e a sequência, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado).

A produção passou por momentos difíceis, como discussões envolvendo o diretor do filme e refilmagens em cima da hora. Tudo isso, infelizmente, repercute no resultado final do longa. Por isso, vamos mostrar quatro coisas que funcionaram no novo longa do Sr. Fantástico, Tocha Humana, Mulher Invisível e Coisa. Mas não se enganem: também escolhemos quatro pontos que fazem desse filme quase um momento vergonha alheia.

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O que foi legal:

1- Ficção Científica

A primeira coisa que chama a atenção no filme é o seu tom mais sombrio. Saem as imagens coloridas e os uniformes colados do longa de 2005 e entra um clima mais “dark”, mais realístico – ok, não há nada de real em fazer um portal para outra dimensão, mas vocês entenderam. Junto à isso, também desaparece a comédia pastelão que permeava os longas com Evans e companhia e surge uma história mais baseada na ficção científica. Isso traz um ganho enorme para a produção. Os dois primeiros arcos da película, baseados no desenvolvimento dos personagens e abusando de questões metafísicas, até que funcionam.

2- Miles Teller

Ele dá vida à Richards Reed, o Sr. Fantástico. De longe, o melhor ator em cena. Parece o único realmente preocupado em atuar, enquanto os demais sequer ligaram o piloto automático – acredite, o termo seria um elogio. Quem já assistiu Whiplash, longa que concorreu ao Oscar de melhor filme esse ano, sabe do que esse jovem ator é capaz de fazer. Claro que em Quarteto Fantástico ele não atua com a mesma qualidade, já que o texto é pobre e a direção é fraca, mas ao menos é o único que tenta passar uma certa emoção. E isso já é válido.

Miles Teller é o único empenhado em fazer algo sério

Miles Teller é o único empenhado em fazer algo sério

3- O vilão

O Dr. Destino já foi mostrado no primeiro longa baseado nas HQs do Quarteto. Aqui ele retorna, no entanto, com algumas modificações. Está mais jovem (como todo o elenco, aliás) e tem uma queda por Susan Storm (coisa que não foi mostrada nas produções anteriores). É dele uma das cenas mais interessantes do filme: quando ele finalmente surge como vilão, inicia uma verdadeira carnificina no laboratório Baxter, com direito a cabeças explodindo dentro de capacetes e tudo mais. É uma sequência bem construída, que esbarra num ótimo cinema de terror alienígena. O problema é que dai pra frente, é só ladeira abaixo…

4-Não é só um filme de heroi

A Marvel Studios está se especializando em transformar seus filmes em produções “temáticas”, não apenas longas com herois. Capitão América: Soldado Invernal, por exemplo, beira a espionagem; Guardiões da Galáxia é uma ótima ficção científica e Homem-Formiga é um longa sobre roubos. A Fox tentou fazer o mesmo aqui, deixando a questão dos super-herois um pouco de lado e apostando numa abordagem diferente. Quase deu certo.

O filme tem um tom de sci-fi que é legal

O filme tem um tom de sci-fi que é legal

 

O que não foi NADA legal:

 

1- O roteiro

Talvez essa seja A PIOR COISA de todo o novo Quarteto Fantástico. O roteiro é péssimo e sem pé nem cabeça, simples assim. Alguém achou que seria legal ver uma criança de 10 anos criar uma máquina de viagem entre dimensões na garagem, enquanto os maiores cientistas do mundo não conseguiram fazer isso; alguém achou interessante colocar no papel que a “Zona Negativa”, para onde os protagonistas viajam, seria a salvação da humanidade, mas se esqueceu de explicar porquê; alguém achou que diálogos em filmes de super-heroi não precisam ser bons. Jeremy Slater e Simon Kimberg são esse “alguém”, afinal, escreveram esse roteiro deprimente. É tão ruim que beira a vergonha alheia.

2- O elenco

Miles Teller está bem em cena. Ponto, acabou. O resto do elenco está medíocre. Kate Mara (de House of Cards), que vive Susan Storm, está apática em todo o longa. É quase como se ela sentisse vergonha em estar ali, atuando contra um fundo verde e fazendo cara de dor e desespero. Michael B. Jordan, que despontou justamente com Trank em Poder Sem Limites é outro. Tenta fazer o rebelde. Soa forçado. O ótimo Jamie Bell, o Coisa, é sub-utilizado. Passa a primeira metade do filme longe dos demais personagens. Na outra metade, é um monstro de pedra que parece bonzinho até demais. Isso só para falar nos protagonistas. O elenco de apoio é ainda pior…

Tirando Teller, o elenco é horrível...

Tirando Teller, o elenco é horrível…

 

3- A direção

Josh Trank é um diretor desconhecido. Com apenas uma produção que chama atenção no currículo, foi chamado pela Fox para dar uma “nova cara” ao Quarteto. O resultado foi uma produção conturbada, brigas e cortes, por parte da produção, depois que o filme já estava pronto. Tanto, que o próprio diretor usou o Twitter para dizer que “a versão que chegou aos cinemas [de Quarteto Fantástico] não é a que ele finalizou”. Se o filme seria melhor à sua maneira é impossível dizer, mas é fato dizer que o diretor enterrou sua carreira.

4- Filme mal acabado

Quarteto Fantástico custou US$ 122 milhões. Homem-Formiga, US$ 130 milhões. Em se tratando de Hollywood, são cifras idênticas. Porém, o filme da Fox é claramente mal finalizado, enquanto o da Marvel tem um charme todo especial. Além das questões do elenco, do roteiro e da direção, pesa contra o novo filme essa falta de tato na finalização, principalmente na mudança do segundo ato para o terceiro. Até então sem grandes cenas de ação e luta, alguém na produção se lembrou que, afinal, esse é um filme de herois e inseriu sequências de pancadaria sem muito sentido. O resultado é uma diferença gritante no decorrer da projeção.

O vilão, Victor Von Doom, ou Dr. Destino, faz quase uma ponta no longa

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