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‘A Regra do Jogo’: primeiro capítulo mostra que folhetim tem potencial

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A pressão da mídia e do público sobre João Emanuel Carneiro era enorme. Autor de uma das novelas mais queridas e aclamadas da Rede Globo, “Avenida Brasil”, a expectativa para seu novo trabalho, “A Regra do Jogo”, que estreou ontem, era gigantesca. Porém, muito pouco se viu do “espírito” de Carminha, Nina e Mãe Lucinda. O novo folhetim trata de assuntos mais complexos, é muito mais sério e parece ter um sistema nervoso prestes a explodir.

Analisando todo o primeiro capítulo, fica clara a qualidade do roteiro escrito por João Emanuel. Mesmo assim, particularmente, alguns pontos, núcleos e personagens ficaram abaixo do esperado; em contrapartida, outros foram muito bem recebidos e causaram surpresa. Com todos os prós e contras, podemos afirmar que “A Regra do Jogo” tem muito potencial.

Como as chamadas já nos adiantavam, o enredo da nova novela vai abordar a ambiguidade dos personagens. Já deu para perceber que, ali, ninguém – ninguém – é somente bonzinho ou malvado. O folhetim vai mostrar todos os lados de uma mesma pessoa de modo bem objetivo, levando em consideração a estreia, e vai caber ao espectador dizer quem é mocinho ou vilão. Tanto, que o primeiro capítulo se chama “A Outra Face” (sim, os episódios terão nomes, como nas séries norte-americanas).

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Giovanna Antonelli vive a trambiqueira Atena

Na estreia, fomos apresentados a três núcleos básicos. O primeiro deles foi o Morro da Macaca, onde vivem Tóia (Vanessa Giácomo, ainda muito fraca como atriz) e a mãe, Djanira (Cássia Kiss Magro). É onde também Adisabeba (Susana Vieira) mantém uma boate, onde Tóia é gerente. No primeiro capítulo, a jovem aguarda a saída de seu noivo, Juliano (Cauã Reymond), da prisão, descobre que a mãe está doente, raspa as suas economias, cai num golpe e rouba a patroa para pagar a cirurgia.

 

Em outro ato, surge Atena (Giovanna Antonelli), uma mulher especialista em viver aplicando golpes nas demais pessoas, levando uma vida de madame – coisa que ela não é. Por fim, conhecemos Romero Rômulo (Alexandre Nero, ótimo), um ex-vereador que trabalha numa ONG de direitos humanos. Mas, como sabemos, ninguém é o que parece em “A Regra do Jogo”: Romero, na verdade, é um bandido de marca maior. No primeiro capítulo, o ex-político ajuda a solucionar um assalto a banco que ele mesmo organizou. De longe, esse é o núcleo mais interessante da nova novela, com sequências muito bem escritas e dirigidas.

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Alexandre Nero impecável como o corrupto Romero Rômulo

Aliás, toda a parte técnica de “A Regra do Jogo” é um deslumbre. Desde a fotografia, que mescla sempre luz e sombra (será que para evidenciar que todos temos dois lados opostos?), até a direção segura de Amora Mautner, passando pela ótima trilha sonora, que mescla ritmos populares a temas tensos, tudo foi feito com o máximo cuidado e qualidade, coisa rara de se ver na TV brasileira. Vale destacar, também, a abertura sensacional, com música de Alcione e um tom épico a lá Game of Thrones.

Colocando na balança, a estreia de “A Regra do Jogo” mostrou um bom trabalho tanto do autor, quanto da equipe técnica. Algumas partes em específico precisam melhorar nos próximos dias (como todo o núcleo da favela, que não é interessante), enquanto outras têm tudo para cair nas graças do público (o corrupto Romero, por exemplo). Quem esperava algo parecido com “Avenida Brasil” talvez tenha se decepcionado um pouco (afinal, difícil superar Carminha e companhia), mas, mesmo assim, o novo folhetim promete muita lenha para queimar.

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